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terça-feira, 20 de maio de 2008

domingo, 4 de maio de 2008

Obrigado, Ronaldo.

As peripécias de Ronaldo, o fenômeno, nas noites cariocas salvaram a revista Veja essa semana. Se não fosse isso, a maior revista de circulação semanal do Brasil teria de estampar em sua capa uma manchete de maior, mas bem maior mesmo, importância para nosso cotidiano. Vejam, quer dizer, leiam os fatos:

A agência americana de classificação de riscos financeiros Standard & Poor's concedeu nesta quarta-feira o "investment grade" ao Brasil, considerado agora um país seguro pelos investidores internacionais graças à maior "maturidade" de suas instituições e políticas.
Segundo Lisa Schineller, analista da SP, "este aumento leva em conta a maturidade das instituições e do quadro político do Brasil, evidenciado pela redução do déficit orçamentário e da dívida externa, assim como as melhores perspectivas de crescimento".

Mas, graças a esperteza de três travecos e o fenomenal vacilo do filho de dona Sônia, UFA!, a Veja fez valer o seu lado Nelson Rúbens de ser, e achou por "bem" dar destaque a esse fato.
Nem mesmo na parte superior da revista foi se quer citado o fenômeno econômico do "investment grade". Preferiram abordar, "convenientemente correto", claro, o aquecimento global.

Enquanto isso, apesar dos Diogos Mainardis e Reinaldos Azevedos da vida, o presidente Lula (Lula, viu Veja. Não FHC) atinge o seu momento de maior aprovação popular – quase 70%.

Como é mesmo aquela famosa frase do Zagallo?

domingo, 27 de abril de 2008

OS TRÊS PATETAS


Essa foto foi tirada na semana passada durante a concorridíssima posse de Gilmar Mendes, novo presidente do STF- Supremo Tribunal Federal- órgão máximo da Justiça brasileira. Agora respondam qual o comentário que lhe vem a cabeça ao assistir essa (ob)cena:
a) viva a civilidade!
b) nada como um dia após o outro
c) diplomacia, aqui me tens de regresso
d) civilidade o c#&%@*, diplomacia é a p.q.p, cês são tudo uns f.d.p. políciaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

domingo, 11 de novembro de 2007

DONA BRASA (VALE A PENA LER DE NOVO: NOS TEMPOS DO MENSALÃO




Com os recentes escândalos que assolam o panorama político nacional, Dona Brasa, 65 anos, que sempre foi telespectadora assídua dos telejornais, se tornou uma fã ardorosa de CPI's, coisa que não sentia desde a década de 50 quando ia assistir ao vivo o Cauby Peixoto cantando "Conceição" (e não a Conceição, a faxineira gostosona) na Rádio Nacional. Sua obsessão pelos, digamos, personagens desse intricado reality show é tanta que ela pregou uma foto do Delcidio Amaral na porta do guarda roupa – ele é bem mais bonito que o Antonio Fagundes, diz a espevitada sexagenária. Sem falar do bonequinho de gesso do ACM Neto que mandou fazer pra enfeitar o jardim que fica em frente à pensão que administra há 35 anos.

A Pensão Brasilha leva seu nome de batismo, Brasília Perpétua das Dores, e fora grafado assim, na placa de seu estabelecimento comercial, incorretamente com lh pelo mesmo pintor – o único da cidade – que fez a faixa do supermercado do seu Neves, onde se lê: somente este mês, saudão de balanço!!!

Na semana passada ocorreu um fato que deixou Dona Brasa, perdoem o trocadilho, cuspindo fogo. Depois de varar a madrugada assistindo a todos os noticiários, de política principalmente, como acontece todas as noites, a velhinha dormiu toda contente sonhando com ela e o senador Delcídio Amaral, os dois numa acareação erótica em plena praça dos três pudores, quer dizer, Três Poderes

Foi quando então viu seu sonho ser abruptamente interrompido por um pesadelo que parecia não ter fim, pior do que todas as CPI's juntas. Sonhou – ou "pesadelou" - que estava sendo atacada por um monstro horrível. O bicho tinha a careca do Marcos Valério, os dentes falhados do Delúbio Soares, o corpo do Roberto Jefferson (antes da lipoaspiração) e, pasmem, o rabo de cavalo da Heloisa Helena. Dona Brasa acordou, então, suada, esbaforida e pensando – Meu, Deus! Será isso algum sinal? – Tomou um copo de água com um lexotan e voltou a dormir, leve como a consciência do deputado José Dirceu.

No outro dia ao acordar e abrir a porta da cozinha, a desagradável surpresa: ladrões pularam o muro e, não podendo arrombar as portas e janelas bem guardadas por trancas cadeados e correntes – Dona Brasa, filha de militares, era o bicho na segurança! – o que fizeram então? Atacaram justamente onde menos se esperava: os fundos da pensão da pobre anciã. E os seus hóspedes ficaram no prejuízo: a capa de chuva do carteiro Juvenal, que ficou escorrendo no varal depois de um dia de entregas debaixo d'água, desapareceu. A bola de voley do Renatinho, office boy do Banco do Brasil também. O jogo de sábado a tarde foi pro brejo. Até a velha bicicleta do Amadeu, frentista do posto BR, os malandros levaram. Fugiram de báique, só pode, - indignou-se Dona Brasa, modernamente.

O fato é que depois daquela fatídica noite, Dona Brasa, coitada, inconsolável e crente em coincidências, coisas do destino, cismou de vez com os telejornais. Nunca mais quis saber de perder suas noites pra assistir as notícias da política nacional. Deixa pra lá, dizia, nada acontece por acaso mesmo. Marmelada, pizza e robalo eu assisto amanhã cedo na cozinha da Ana Maria Braga.

sábado, 21 de julho de 2007

SOMOS TODOS RENANS


Ei, psiu, é com você mesmo que eu estou falando. Você viu o Renan Calheiros por aí? Não?! E o Paulo Maluf? Também não?! Nenhumzinho deles, nem o Joaquim Roriz, o Severino Cavalcante ou aquele outro dos dólares na cueca, tem certeza de que não os viu? Impossível! Se todos eles estão aí na sua frente, bem pertinho de você! Pode prestar atenção, e não é na televisão, no jornal ou na internet. Olhe atentamente ao seu redor e você os verá sorridentes, maliciosos, matreiros, com aquela típica expressão tupiniquim: “eu sou o cara, o espertão, me dei bem”.
Ontem mesmo eu topei com um Renan na rua. O sinal de trânsito estava vermelho, mas ele, claro, como “não é bobo nem nada” (afinal é um legítimo Renan) parou o carro bem em cima da faixa de pedestre pra se adiantar, garantir o seu. Nada de mais. Apenas uma infraçãozinha boba. Tão boba quanto à de um esperto Maluf que me ultrapassou logo em seguida (detalhe: pelo lado direito). O Roriz eu vi hoje pela manhã jogando casca de banana pela janela do ônibus com o mais politicamente indigesto dos argumentos: - Ué, se não tiver lixo no chão daqui a pouco a prefeitura não vai mais precisar contratar garis. (!!!) De onde eu concluo que precisamos urgentemente de mais bandidos e assassinos nas ruas afim de que nossos policiais não morram de fome.
Viu como não é tão difícil assim encontrá-los? As nossas ruas estão cheias deles. Historicamente a nossa cultura, o inconsciente coletivo, enfim, estão tristemente recheados de Renans, Malufs e seus pares. Aqui pra nós, com todo respeito, eu acho que até você, se puxar um pouco pela memória vai se lembrar que já cometeu algumas renanzices na vida. Ou então já viu muita gente aprontar das suas malufices na sua família, no clube, no trabalho. Tudo, claro, camuflado com o adocicado pseudônimo de “jeitinho brasileiro”. Eu sei que é difícil assumir, se revelar assim, mas não vai me dizer que pelo menos em algum momento da vida você nunca foi, e se não foi nunca pensou em cometer, uma rorizada, daquelas bem sorrateiras, espertinhas, mesmo que por uma vezinha só. Hêin? Quer (maus) exemplos? Se você só tirou carteira de habilitação porque um amigo do cunhado do vizinho do seu tio trabalha no Detran? Parabéns, você é um perfeito Renan. Conseguiu aquele cargo bacana na prefeitura, passando na frente de um monte de gente qualificada, só porque sua irmã tem um caso com um vereador? Viva! Você é um típico Roriz. Pagou uma cervejinha pro guarda rodoviário pra ele não te multar só porque o documento do seu carro tá vencido? Uma salva de palmas! Você (e o guarda que aceitou o agrado) são dois grandissíssimos Malufs. A última: você não estudou pra prova da faculdade e pegou um atestado falso com aquele médico amicíssimo da família só pra poder ficar em casa o dia todo revisando a matéria? Mais aplausos! Você e o sem vergonha do doutor formam um belo par de Lalaus!
É triste, mas é verdade. Como se pode perceber eles estão no meio de nós. E ainda há os que se sentem “revoltados”, e que, dotados de uma indignação de dar inveja a uma lesma, reclamam do governo e de toda a corrupção que toma conta de nosso noticiário. Há um bom tempo não se mobilizam, promovem passeatas ou grandes manifestações. Talvez pelo fato da mamãe Globo ainda não os ter “incentivado” como pareceu ter ocorrido com a minissérie “Anos Rebeldes” em 1992, ano do impeachment do ex-presidente (e hoje, pasmem, senador da República) Collor de Mello. Não fazem panelaço como nossos hermanos argentinos, definitivamente nossos fregueses no futebol (assunto, aliás, bem mais interessante do que esse negócio chato de política) e seguem impávidos e colossais, loucos pra saber quem vai estar na seleção de Dunga na Copa do Mundo ou então quem vai ser escola de samba campeã de 2008.
Por isso, meus amigos, fiquemos bastante atentos da próxima vez que chamarmos de idiotas aqueles que acham carteiras recheadas de dinheiro e as devolvem aos seus donos. Ou então quando nos acharmos espertos o bastante a ponto de fazermos campanha fervorosa pra um candidato nitidamente corrupto, só porque ele trouxe uma banda legal pra tocar na nossa festa da formatura.
Caso contrário correremos o sério risco de, ao olhar no espelho todos os dias pela manhã, depararmos não com nossa face, mas com a cara lavada do Renan, do Maluf, do Roriz, do Severino Cavalcante, do Lalau...